Indulgência
Permanente
Escasseia, cada vez mais, no
comportamento humano, a indulgência.
Relevante para o êxito da criatura em
si mesma e em relação ao próximo,
o pragmatismo negativo dos interesses
imediatos vem, a pouco e pouco,
desacreditando- a, deixando-a à margem.
Sem a indulgência no lar, diante das
atitudes infelizes dos familiares
ou em referência aos seus equívocos,
instala-se a malquerença; na oficina de
atividades comerciais, produz a
desconfiança; no trato social propicia o
desconforto moral e responde pelo
competição destrutiva.. .
Tentando substituí-la, as criaturas
imprevidentes colocam nos lábios a
mordacidade no trato com o semelhante, a
falsa superioridade, a ofensa freqüente,
a hipocrisia em arremedos de tolerância.
A indulgência para com as faltas alheias
é perfeita compreensão da própria fragilidade,
a refletir-se no erro de outrem, entendendo
que todos necessitam de oportunidade para
recuperar-se, e facultando-a sem assumir rígido
comportamento de censor ou injustificável
postura de benfeitor.
A indulgência é um sentimento de humanidade
que vige em todas as pessoas, aguardando
desdobramento e vitalidade que somente o
esforço de cada qual logra realizar.
É calma e natural, fraterna e gentil,
brotando como linfa cristalina alcance do
sedento.
Generosa, não guarda qualquer ressentimento,
olvidando as ofensas a benefício do próprio
agressor.
A indulgência é um ato de amor que se
expande e de caridade que se realiza...
[Joanna de Ângelis]
[Divaldo Franco]
[Viver e Amar]
